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  <title>Rui Passos Rocha</title>
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    <issued>2010-07-12T22:37:12</issued>
    <title>Leite morninho</title>
    <published>2010-07-12T21:37:24Z</published>
    <updated>2010-07-12T21:37:24Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Ontem &lt;a href="http://aeiou.expresso.pt/passos-coelho-e-o-messias=f592508" target="_blank"&gt;esgadanhei&lt;/a&gt; qualquer coisa sobre os modelos políticos  predominantes na Europa privilegiarem a social-democracia, uma síntese  do essencial das identidades &lt;em&gt;socialista&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;neoliberal&lt;/em&gt;:  os meios de produção e de distribuição ficam na mão dos privados, que  são regulados até ao tutano pelo Estado. Porquê? Porque os  engravatadinhos da direita eram gente de uma raça que equiparava  prosperidade ao volume de notas amontoadas no bolso; e porque os  pés-rapados da esquerda – frustrados por não conseguirem que o povo  percebesse a superioridade moral da sua ideologia e, consequentemente,  trabalhasse 10 vezes mais por vontade própria – se refugiaram na defesa  da igualdade redistributiva e dos direitos individuais conquistados com &lt;em&gt;tanto  sangue vertido&lt;/em&gt;, como hoje se pode ler na Visão pela magnânima pena  de Boaventura Sousa Santos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fez-se a síntese e daí resultou – dizem, e eu, que sou  fundamentalmente pouco dado a pensar, não contradigo – o melhor de dois  mundos: uma direita e uma esquerda preocupadas &lt;em&gt;moderadamente &lt;/em&gt;com  os pobrezinhos – e tanto mais preocupadas quanto mais longe eles  estiverem da vistinha. Mas não tenhamos dúvidas: no dia em que &lt;em&gt;a  esquerda&lt;/em&gt; conseguir imaginar um modo de produção eficaz de riqueza  (assim a modos que algo mais realista do que o plano soviético de um  maior crescimento económico do que o americano) o futuro da direita,  essa cambada de proto-judeus-avarentos, será pouco risonho, porque nem a  direita, concentrada na igualdade de oportunidades, rejeita a  superioridade moral do valor esquerdista da igualdade de resultados –  porque, no limite, se a mera igualdade de oportunidades gerar alguma  pobreza extrema a própria direita quererá temperá-la com alguma  igualdade de resultados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo isto tem ancoragem empírica, minha gente: quanto mais  instruídos, &lt;a href="http://www.le.ac.uk/economics/research/RePEc/lec/leecon/dp09-23.pdf"&gt;mais  à esquerda os eleitores se posicionam&lt;/a&gt; em relação ao que as suas  posições em relação a temas concretos fariam supor. E (já agora, ó  Tiago) as mulheres – ou, na bela versão de Paco Underhill, &lt;em&gt;a fêmea  das espécies&lt;/em&gt; –, essas bestas, não só são mais esquerdistas (isso de  ter valores é pra meninas) como &lt;a href="http://www.hec.unil.ch/deep/evenements/Seminaire-papers/2007-08/Tavares-sept07-1.pdf"&gt;têm  mais a ganhar&lt;/a&gt; com Estados mais gordos.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2010-07-01T00:51:12</issued>
    <title>Leite morninho</title>
    <published>2010-06-30T23:53:46Z</published>
    <updated>2010-07-12T21:35:34Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Ontem &lt;a href="http://aeiou.expresso.pt/passos-coelho-e-o-messias=f592508" target="_blank"&gt;esgadanhei&lt;/a&gt; qualquer coisa sobre os modelos políticos  predominantes na Europa privilegiarem a social-democracia, uma síntese  do essencial das identidades &lt;em&gt;socialista&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;neoliberal&lt;/em&gt;:  os meios de produção e de distribuição ficam na mão dos privados, que  são regulados até ao tutano pelo Estado. Porquê? Porque os  engravatadinhos da direita eram gente de uma raça que equiparava  prosperidade ao volume de notas amontoadas no bolso; e porque os  pés-rapados da esquerda – frustrados por não conseguirem que o povo  percebesse a superioridade moral da sua ideologia e, consequentemente,  trabalhasse 10 vezes mais por vontade própria – se refugiaram na defesa  da igualdade redistributiva e dos direitos individuais conquistados com &lt;em&gt;tanto  sangue vertido&lt;/em&gt;, como hoje se pode ler na Visão pela magnânima pena  de Boaventura Sousa Santos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fez-se a síntese e daí resultou – dizem, e eu, que sou  fundamentalmente pouco dado a pensar, não contradigo – o melhor de dois  mundos: uma direita e uma esquerda preocupadas &lt;em&gt;moderadamente &lt;/em&gt;com  os pobrezinhos – e tanto mais preocupadas quanto mais longe eles  estiverem da vistinha. Mas não tenhamos dúvidas: no dia em que &lt;em&gt;a  esquerda&lt;/em&gt; conseguir imaginar um modo de produção eficaz de riqueza  (assim a modos que algo mais realista do que o plano soviético de um  maior crescimento económico do que o americano) o futuro da direita,  essa cambada de proto-judeus-avarentos, será pouco risonho, porque nem a  direita, concentrada na igualdade de oportunidades, rejeita a  superioridade moral do valor esquerdista da igualdade de resultados –  porque, no limite, se a mera igualdade de oportunidades gerar alguma  pobreza extrema a própria direita quererá temperá-la com alguma  igualdade de resultados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tudo isto tem ancoragem empírica, minha gente: quanto mais  instruídos, &lt;a href="http://www.le.ac.uk/economics/research/RePEc/lec/leecon/dp09-23.pdf"&gt;mais  à esquerda os eleitores se posicionam&lt;/a&gt; em relação ao que as suas  posições em relação a temas concretos fariam supor. E (já agora, ó  Tiago) as mulheres – ou, na bela versão de Paco Underhill, &lt;em&gt;a fêmea  das espécies&lt;/em&gt; –, essas bestas, não só são mais esquerdistas (isso de  ter valores é pra meninas) como &lt;a href="http://www.hec.unil.ch/deep/evenements/Seminaire-papers/2007-08/Tavares-sept07-1.pdf"&gt;têm  mais a ganhar&lt;/a&gt; com Estados mais gordos.&lt;/p&gt;</content>
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