Segunda-feira, 12.07.10

Ontem esgadanhei qualquer coisa sobre os modelos políticos predominantes na Europa privilegiarem a social-democracia, uma síntese do essencial das identidades socialista e neoliberal: os meios de produção e de distribuição ficam na mão dos privados, que são regulados até ao tutano pelo Estado. Porquê? Porque os engravatadinhos da direita eram gente de uma raça que equiparava prosperidade ao volume de notas amontoadas no bolso; e porque os pés-rapados da esquerda – frustrados por não conseguirem que o povo percebesse a superioridade moral da sua ideologia e, consequentemente, trabalhasse 10 vezes mais por vontade própria – se refugiaram na defesa da igualdade redistributiva e dos direitos individuais conquistados com tanto sangue vertido, como hoje se pode ler na Visão pela magnânima pena de Boaventura Sousa Santos.

 

Fez-se a síntese e daí resultou – dizem, e eu, que sou fundamentalmente pouco dado a pensar, não contradigo – o melhor de dois mundos: uma direita e uma esquerda preocupadas moderadamente com os pobrezinhos – e tanto mais preocupadas quanto mais longe eles estiverem da vistinha. Mas não tenhamos dúvidas: no dia em que a esquerda conseguir imaginar um modo de produção eficaz de riqueza (assim a modos que algo mais realista do que o plano soviético de um maior crescimento económico do que o americano) o futuro da direita, essa cambada de proto-judeus-avarentos, será pouco risonho, porque nem a direita, concentrada na igualdade de oportunidades, rejeita a superioridade moral do valor esquerdista da igualdade de resultados – porque, no limite, se a mera igualdade de oportunidades gerar alguma pobreza extrema a própria direita quererá temperá-la com alguma igualdade de resultados.

 

Tudo isto tem ancoragem empírica, minha gente: quanto mais instruídos, mais à esquerda os eleitores se posicionam em relação ao que as suas posições em relação a temas concretos fariam supor. E (já agora, ó Tiago) as mulheres – ou, na bela versão de Paco Underhill, a fêmea das espécies –, essas bestas, não só são mais esquerdistas (isso de ter valores é pra meninas) como têm mais a ganhar com Estados mais gordos.



publicado por Rui Passos Rocha às 22:37 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Quinta-feira, 01.07.10

Ontem esgadanhei qualquer coisa sobre os modelos políticos predominantes na Europa privilegiarem a social-democracia, uma síntese do essencial das identidades socialista e neoliberal: os meios de produção e de distribuição ficam na mão dos privados, que são regulados até ao tutano pelo Estado. Porquê? Porque os engravatadinhos da direita eram gente de uma raça que equiparava prosperidade ao volume de notas amontoadas no bolso; e porque os pés-rapados da esquerda – frustrados por não conseguirem que o povo percebesse a superioridade moral da sua ideologia e, consequentemente, trabalhasse 10 vezes mais por vontade própria – se refugiaram na defesa da igualdade redistributiva e dos direitos individuais conquistados com tanto sangue vertido, como hoje se pode ler na Visão pela magnânima pena de Boaventura Sousa Santos.

 

Fez-se a síntese e daí resultou – dizem, e eu, que sou fundamentalmente pouco dado a pensar, não contradigo – o melhor de dois mundos: uma direita e uma esquerda preocupadas moderadamente com os pobrezinhos – e tanto mais preocupadas quanto mais longe eles estiverem da vistinha. Mas não tenhamos dúvidas: no dia em que a esquerda conseguir imaginar um modo de produção eficaz de riqueza (assim a modos que algo mais realista do que o plano soviético de um maior crescimento económico do que o americano) o futuro da direita, essa cambada de proto-judeus-avarentos, será pouco risonho, porque nem a direita, concentrada na igualdade de oportunidades, rejeita a superioridade moral do valor esquerdista da igualdade de resultados – porque, no limite, se a mera igualdade de oportunidades gerar alguma pobreza extrema a própria direita quererá temperá-la com alguma igualdade de resultados.

 

Tudo isto tem ancoragem empírica, minha gente: quanto mais instruídos, mais à esquerda os eleitores se posicionam em relação ao que as suas posições em relação a temas concretos fariam supor. E (já agora, ó Tiago) as mulheres – ou, na bela versão de Paco Underhill, a fêmea das espécies –, essas bestas, não só são mais esquerdistas (isso de ter valores é pra meninas) como têm mais a ganhar com Estados mais gordos.



publicado por Rui Passos Rocha às 00:51 | link do post | comentar

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